sábado, 13 de junho de 2009

Entrevista do mês

Formado em Comunicação Social pela UFG, fotógrafo, chefe de cozinha e amante da boa comida e das inovações, Rimene Amaral começou como Assessor de Imprensa de órgãos públicos municipais e estaduais. Foi, também, Repórter de TV e colunista de Revistas. Hoje, Assessor de Imprensa atuante (Senado Federal, Prefeitura de Goiânia, Governo de Goiás, empresas, eventos e pessoal) Rimene se dedica a viagens e gastronomia. ‘’Sou um viajante inveterado e cozinheiro de plantão’’, afirma Rimene.

Chocollatra: Quando surgiu a iniciativa de unir jornalismo a gastronomia e fazer da profissão um apetitoso (ou não) prato?

Rimene: Na verdade, a paixão pela culinária surgiu antes. Aos seis anos de idade, quando usei um banquinho para cozinhar o primeiro prato: arroz com salsicha. Eu era - e ainda sou! - fascinado com a mistura de temperos, ervas, cheiros e sabores. Viajo pelo mundo para conhecer a cultura, mas me detenho mais à culinária. O jornalismo veio como outra paixão. E comunicação é o que não falta em um prato de comida. Nele, tem-se a informação da cultura, a informação do paladar, do cheiro. A comida é, juntamente com a religião e a música, as maiores identidades de um povo. Assim como os Maia, no México, que cultivavam o milho e as raízes e extraíam toda a base da sua alimentação, ao redor do mundo os povos também têm seus pratos, suas culturas, sua comunicação. Então, nada mais paralelo pra mim do que a gastronomia e o jornalismo.


Chocollatra: Como você avalia esse campo de atuação a nível regional, nacional e, se puder internacional?
Rimene: Crescendo vertiginosamente a cada dia! Cozinhar deixou de ser uma obrigação da dona de casa e passou a ser uma terapia, que abre as portas ao convívio familiar e de amigos. É mágica! Modificar as formas e texturas dos alimentos, dar sabor e provocar reações as mais diversas... Esse é o poder da alquimia de sabores! E por todas as partes do mundo isso acontece. Em Goiânia, até cinco anos atrás, falar em gastronomia era coisa chique e rara. Estudar gastronomia era coisa de quem não tinha uma obrigação definida. Hoje isso é muito diferente. A visão não apenas mudou, mas o mercado passou a exigir pessoas capacitadas que saibam fazer um prato que vai além do arroz, feijão, bife e batata frita - que, aliás, não é nada fácil de fazer. Em alguns países do leste europeu, cobra-se caro num prato com esses ingredientes. E não é qualquer um que consegue prepará-lo com maestria. No Brasil temos escolas de gastronomia espalhadas pelos quatro cantos. Chefes de cozinha disputadíssimos com cachês que beiram o inimaginável. Internacionalmente falando, temos nomes reconhecidos e respeitados, como o do "garoto" Jamie Oliver, que tem programa de TV, escola de gastronomia, restaurantes espalhados pela Europa e um nome que agrega valor a tudo que ele toca. Como Midas, essas pessoas que sabem preparar alimentos, sabem também que o retorno é garantido. É uma coisa de instinto, do tipo "quem me alimenta é meu amigo e merece meu respeito, minha gratidão e minha fidelidade".

Chocollatra: Qual a postura dos meios de comunicação diante desse jornalismo?
Rimene: A mesma como foi com o surgimento e a ascensão desse profissional. Quem falava ou escrevia sobre comida era visto com restrições. Hoje, já se sabe, falar sobre comida requer conhecimento, cultura. Além do mais, quem tem admiração pela arte de cozinhar - mesmo que não saiba na prática, mas apenas na teoria - tem mais paixão, mais sensibilidade, paciência e respeito. Cozinhar não é apenas um ato de jogar um alimento no fogo e mudar sua forma. É saber usar o sentimento, a paixão e a sensibilidade na quantidade certa, assim como os temperos!

Chocollatra: Qual a sua fonte de inspiração para fazer das palavras o prato do dia?
Rimene: Muita leitura, fotografia, televisão, livros, músicas, filmes, seriados... Conversas que parecem ser furadas, mas que nos final das contas rendem assuntos maravilhosos. Tudo isso é comunicação que acaba dando um retorno extraordinário para tudo que escrevo. Aliás, quem quiser, pode – e deve! – visitar meu blog: http://odonodotempo.blogspot.com . Ele foi criado, entre outras coisas, para escrever sobre gastronomia. Dentre os assuntos que escrevo periodicamente, a culinária faz parte desde os primeiros posts!

Chocolltra: Como você avalia as ''novas'' alternativas de comunicação (tecnologia)
, como por exemplo, os blogs, no seu trabalho?
Rimene: Extremamente fundamental. Dia desses conversava com uma amiga que dizia que o jornalismo hoje parece ser uma profissão mais bem vista. Eu acredito que isso se deve não à profissão em si, mas às várias formas de mostrar o que o jornalismo está atuante. Sem falar na agilidade – coisa importantíssima para quem detém a informação! Além do mais, quando não se tem espaço para mostrar aquilo que se quer, as vias alternativas, como sites e blogs acabam preenchendo essa lacuna (?). E pode acreditar: em pouco tempo, esse tipo de informação será o que há de mais importante para o jornalismo moderno.

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